Rioja: nas bodegas da famosa rota do vinho espanhola

Rioja é a região produtora de vinho mais famosa de toda Espanha. Junto com Bordeaux, Champagne-Ardenne, Porto e a Toscana, está entre as mais famosas rotas do vinho da Europa. Eu sou uma apaixonada pela secular bebida e sempre tive muita vontade de mergulhar nos vinhedos dessa região. E, quando chegou o dia de conhecer, foi uma viagem incrível! Aqui conto tudo sobre como chegar, onde se hospedar, o que comer, o que fazer, os tipos de vinho e quais vinícolas visitar em Rioja!

Como chegar à Rioja

Saímos de Valência cedinho num feriado do final do outono e, por compromisso de trabalho do meu namorado, paramos em Madri. Como desviamos o caminho até a maior cidade espanhola, aproveitamos para conhecer e almoçar na linda Burgos! Super recomendo se conseguir unir as duas!

Rioja fica no Norte da Espanha, a três horas de Madri. De Burgos dista cerca de uma hora, Zaragoza duas, Bilbao uma, León duas e meia e Barcelona cinco. Ou seja, é um destino bem interessante para quem quer dar uma boa rodada por essa área do país.

O ideal é ir de carro, pois a região contempla diversas cidades e muitas bodegas para explorar! As estradas são muito boas, como na maior parte da Espanha. O único detalhe é que os motoristas terão de revezar a vez para curtir as degustações.

Os tipos de vinho de Rioja

O vinho é, sem dúvida, o principal atrativo dessa viagem, mas também existem outros pontos interessantes, como cidades pitorescas, mosteiros, sítios arqueológicos e museus. Entre as uvas mais famosas, está a tinta tempranillo e garnacha, mazuelo e graciano, além das brancas viura, malvasia, granacha e tempranillo (que dizem estar em fase de experimentação, mas não encontrei).

Como amei a arquitetura da Marques de Riscal!
Como amei a arquitetura da Marques de Riscal!

Das classificações tradicionais, os tipos mais jovens têm algumas peculiaridades em Rioja. A cosecha é a mais jovem e dificílima de achar. A crianza é a mais tradicional em Rioja, porém com uma peculiaridade, costuma ficar mais de 12 meses em barrica, ou seja, um período superior a outras regiões, o que faz o crianza de muitas vinícolas de Rioja ter qualidade de um reserva de outros lugares!

Esses vinhos deliciosos e delicados – podemos compará-los mais com um Beaujolais do que com um Bordeaux – entre os quais, normalmente, o tempranillo representa mais de 70% das uvas, combinam com os deliciosos pratos locais, como borrego (cordeiro), enchido da serra (presuntos curados com pimentão) e os pixtos de balcão, em destaque nas principais cidades da rota. Prepare-se então para a comida fazer parte dessa experiência sensorial!

Os vinhedos de Rioja no inverno
Os vinhedos de Rioja no inverno

As regiões de Rioja e onde se hospedar

La Rioja é uma das comunidades autônomas espanholas e Logroño é sua capital. É também o nome da Denominación de Origen que protege os vinhos produzidos nela. Já a região vinícola de La Rioja tem como extensão parte da comunidade autônoma La Rioja, uma parte do País Basco chamada de Rioja Alavesa e, por fim, alguns pontos de Navarra e Castilla y León.

Por mais de Logroño seja a capital e ofereça a maior infra hoteleira, a maior parte das vinícolas renomadas está situada em Haro (Rioja Baja) e no trecho do País Basco (onde estão vinícolas sofisticadas que criaram hotéis SPA). Assim, Logrõno é a região mais barata para ficar. Haro e arredores oferecem hospedagens menores, são mais pitorescas e bastante procuradas, por isso, os preços são mais altos. Já no País Basco encontramos resorts com valores altíssimos, como o da vinícola Marqués de Riscal, cuja diária custa mais de 500 euros.

Na praça principal de Haro, Rioja
Na praça principal de Haro, Rioja

Nós ficamos no pequeno povoado de Briñas, um local pitoresco com casas do século XVII situado a 3 km de Haro. Segundo um primo espanhol do meu namorado que trabalha com turismo, essas cidadezinhas perto de Haro são as melhores para ficar!

Nos hospedamos na Casa Rural de Legarda, um antigo casarão que foi convertido numa hospedaria familiar. O ar da casa rural é bem de fazenda e, ainda, cada cantinho dessa pousada tinha um toque especial dos proprietários.

O quarto do Casa Rural de Leguarda. Foto: Booking
O quarto do Casa Rural de Leguarda. Foto: Booking

Além do quarto ser bom, o banheiro impecável e o prédio oferecia uma experiência única! Pagamos por duas diárias 120 euros, o preço de uma diária em um hotel de mesma qualidade em Haro. Esse valor é também similar a de um hotel de rede em Logroño. Portanto, foi um achado! Só o café da manhã que era bem básico. Mas pagamos 5 euros por café então está okay.

Como é a Casa Rural de Leguarda para você sentir o clima do hotel e da cidade. Foto: Booking
Como é a Casa Rural de Leguarda para você sentir o clima do hotel e da cidade. Foto: Booking

Quais vinícolas visitar em Rioja Alta

De Briñas conseguíamos ir e voltar rapidinho de Haro, portanto, perfeito para a programação que queríamos fazer! O que não sabíamos era que as atividades nas vinícolas demandam reserva antecipada. Algumas você consegue fazer no site, mas a maioria deve ser feita por telefone. As visitas mais elaboradas, somadas à degustações com muitos vinhos, petiscos ou almoço requerem, normalmente, 48 horas de antecedência. Por sorte, conseguimos fazer uma reserva na Muga, uma das mais famosas em Haro.

A vinícola Muga, em Haro, Rioja
A vinícola Muga, em Haro, Rioja

A Muga ela está situada numa avenida em que estão diversas famosas. Lá estão Rioja Alta, Gomez Cruzado e López de Heredia, além de algumas mais! Todas têm loja e espaço para tomar vinho, o que é uma boa opção para experimentar os produtos sem agendar visita ou degustação.

Primeiro passamos na Rioja Alta, que tem uma das melhores loja que vimos. Experimentamos então cada um uma taça, que custava cerca de 1/5 do preço da garrafa. Gostamos muito do que provamos e selecionamos algumas unidades para levar pra casa. Está aí, portanto, uma outra vantagem de ir de carro: carregar garrafinhas!

A vinícola Gomez Cruzado, situada em Haro, Rioja
A vinícola Gomez Cruzado, situada em Haro, Rioja

Depois fizemos nossa visita à Muga. O processo de fabricação é mais artesanal e eles produzem as próprias barricas. Com isso, foi bem interessante para nos aprofundarmos na interferência da madeira no resultado final do vinho. Vimos desde o processo visual de seleção dos vinhos e, ainda, a preparação das madeiras até todo o processo em barris e barricas. Pagamos pela visita 15 euros e, no final, após 1h30 de visita, pudemos então degustar dois vinhos crianza da casa: um branco e um tinto.

Achei o custo-benefício muito bom, pois as vizinhas concorrentes chegam a cobrar mais de 30 euros pela visita. A qualidade das explicações e as áreas visitadas atenderam bastante a nossa expectativa. A Muga é uma marca facilmente encontrada em Valencia e os preços não eram tão diferentes, por isso, optamos por não levar nenhuma garrafa. Mas o crianza deles me impressionou pela excelente qualidade a apenas 7 euros.

Barris na vinícola Muga, em Haro, Rioja
Barris na vinícola Muga, em Haro, Rioja

Saindo da Muga passamos então na Gomez Cruzado, uma das marcas melhor pontuadas de Rioja, onde compramos um vinho que nunca tínhamos visto. Optamos lá por não experimentar nenhuma taça, pois o preço era ¼ do valor da garrafa.

Vale mencionar que em outro dia voltamos nessa avenida para tomar um vinho na López de Heredia, que é a mais concorrida e a mais antiga de Haro. Achamos os vinhos nem tão bons em relação ao custo-benefício. Nossa favorita seguiu a Rioja Alta.

A arquitetura é destaque em diversas vinícolas. Aqui é a Lopez de Heredia
A arquitetura é destaque em diversas vinícolas. Aqui é a Lopez de Heredia

O que comer em Rioja Alta

Depois de uma visita e de ter passado em duas lojas, fomos almoçar em Haro. Escolhemos o Terete, um restaurante tradicional especializado em cordeiro assado na brasa. Eles têm uma carta de vinhos com rótulos de produção própria, mas guardamos nossa cota de álcool para a visita seguinte e focamos na comida.

Escolhemos um cordeiro para dividir (o prato é individual, mas bem servido) e três entradas: morcilla, pimentos assados e aspargos. Era bastante comida e acabamos deixando metade dos aspargos, mas foram todos ótimas escolhas. Gastamos ao todo cerca de 50 euros, 25 por cabeça, porém só bebendo água.

A cozinha do restaurante Terete, em Haro, Rioja
A cozinha do restaurante Terete, em Haro, Rioja

Em uma noite também estivemos em Haro para comer. No Centro algumas ruazinhas são repletas de bares de pixtos/tapas e as pessoas ficam, portanto, lá à noite tomando vinho e petiscando. Essa é a diversão noturna da cidade! Tivemos sorte de encontrar um bar com uma mesa vagando, mas todos estavam lotadíssimos, com os clientes comendo, bebendo e conversando em pé.

Quais vinícolas visitar em Rioja Alavesa

O trecho de Rioja situado no País Basco é, no geral, dotado de vinícolas mais espaçadas do que a Rioja Alta ou a Baixa. Situado nos arredores da cidade de Laguarda, a sensação que nos dá é que ele é mais campestre e rústico. No entanto, as vinícolas que tiveram mais investimento em arquitetura e marca e que se tornaram ponto turístico pelo estilo de seus prédios estão nesse pedaço. Falamos então de vinícolas como Baigorri, Marqués de Riscal, Ysios.

A bodega Ysios em Rioja Alavesca
A bodega Ysios em Rioja Alavesca

Nós só passamos em frente à Ysios e tiramos fotos. Essa vinícola recebe muitos visitantes, já que foi concebida pelo famoso arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o mesmo que fez o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro e a Cidade das Artes e das Ciências de Valência.

Tínhamos intenção de visitar a Baigorri, que tem uma estrutura de zinco e vidro no topo de uma colina e possui oito níveis abaixo da terra. Falam muito bem do tour completo seguido de almoço com menu degustação, pois ele explica desde a colheita, o prédio é lindíssimo e a harmonização da refeição boa, mas não tivemos tempo hábil.

As formas da vinícola Marques de Riscal, em Rioja
As formas da vinícola Marques de Riscal, em Rioja

Focamos então na Marques de Riscal, aquela toda diferente elaborada pelo Frank Gehry, o mesmo arquiteto do Guggenhein de Bilbao. É lá que tem o hotel SPA mais famoso de Rioja. Clique aqui para conferir que incrível é esse hotel!

A visita já é interessante pela arquitetura e pelo fato de que essa bodega tem uma loja e um bar com a melhor estrutura de Rioja. Depois é interessante por conhecermos um processo mais industrial e de alta escala. Ah! Imagino só como é se hospedar! Se você quiser ficar na Marques de Riscal, é bom garantir a reserva, pois o hotel é mais que concorrido!

Enquanto a Muga produz com barricas feitas em casa com madeira francesa e está focada nos crianza, a Marqués de Riscal está mais voltada para garrafas de reserva tipo exportação elaborados em barricas de roble americano. Se por um lado, fiquei mais impressionada com os processos de qualidade e higiene da Marqués de Riscal, não pude deixar de perceber – com o conhecimento um pouco mais aprofundado nos efeitos da madeira – os impactos do roble americano, mais bruto no sabor. Eu diria que essa marca deve ser melhor nos grand reserva, para os quais adotam outros barris, mas ainda não tivemos a oportunidade de abrir as garrafas especiais que compramos lá.

O cuidado e higiene da vinícola Marques de Riscal, em Rioja
O cuidado e higiene da vinícola Marques de Riscal, em Rioja

A visita à Marqués de Riscal foi a mais fácil. A reserva pode ser feita online e conseguimos pegar um horário tarde, às 16h30 de um domingo, com isso, éramos os únicos daquele “grupo” e pudemos fazer bastante pergunta. Boa parte das bodegas fecha no início da tarde de domingo ou nem abre.

O que fazer em Rioja Baja

Logroño é a mais famosa e a maior cidade de Rioja. Além de sua famosa catedral, que integra o caminho de Santiago de Compostela, tem dois pontos gastronômicos bastante famosos: a calle de Laurel, onde estão os famosos bares de tapas (no mesmo estilo de Haro) e o Centro de La Cultura de Rioja, um prédio restaurado bem bonito com bares e restaurantes.

Fomos até a cidade numa noite para comer. Comemos lá os melhores pinxtos de toda viagem. Além de deliciosos, era lindíssimos! A dica é só que percebemos que as coisas fecham mais cedo do que em Valencia ou Madri, então não deixe para sair muito tarde, em especial no domingo.

Pinxtos em Logroño, Rioja
Pinxtos em Logroño, Rioja

Um outro endereço bastante recomendado por todos os locais e também por nossos conhecidos é o restaurante Las Cubanas, com foco na gastronomia riojana contemporânea.

Ainda tem mais atividades em Rioja!

Agora que você já sabe quais vinícolas visitar em Rioja, vale então falar de outras atividades!

O meu tempo na região era curto e não poderíamos, portanto, esticar em atividades fora das tradicionais cidades e visitas. Por ali, contudo, está o Monastério de San Millán de Yuso, considerado patrimônio da UNESCO. Pertinho dele está o Monastério Suso, que parece bem bonito e pode ser combinado com o outro. Nesse local estão os primeiros manuscritos de duas línguas completamente diferentes: a língua castelhana e a língua euskera, o idioma oficial dos bascos.

Em Briones, na bodega Vivanco está um museu do vinho, considerado pela OMT como o melhor e mais completo museu vitivinícola do mundo. Além dos objetos, estão nos jardins 200 espécies diferentes de parreiras. O Vivanco, contudo, não abre às segundas, o que fez com que tivéssemos de tirá-lo de nossa programação.

Os vinhedos infinitos que percorremos nas estradas de Rioja
Os vinhedos infinitos que percorremos nas estradas de Rioja

Na cidade de San Vicente de la Sonciera está um parreiral milenar com um sitio arqueológico onde foram encontrados diversos itens do cultivo de vinho, tais como ferramentas supostamente utilizadas pelos povos primitivos que habitaram aquela região nos idos do quinto milênio antes de Cristo. E, por fim, a cidade de Nájera foi a base da antiga corte dos reis de Navarra.

Nossa viagem foi curta e tivemos uma estrada bem longa. Fomos num sábado cedo, mas só chegamos no final do dia. E voltamos numa segunda. O único dia inteiro, portanto, foi o domingo. Mas foi suficiente para fazer duas visitas, ir a mais outras três e conhecer Logroño e Haro.

Se tivéssemos mais tempo, eu gostaria de ter visitado uma bodega ainda mais artesanal. Também gostaria de aproveitar para fazer um curso de vinhos, pois várias vinícolas oferecem cursos aos sábados. Mas essa fica para uma próxima viagem ou, quem sabe, uma visita a Ribeira del Duero!

O bar da vinícola Lopez de Heredia, em Haro, Rioja
O bar da vinícola Lopez de Heredia, em Haro, Rioja

Gostou de saber quais vinícolas visitar em Rioja? Agora me conta: você gosta de vinhos? Se gosta, então aqui no Ultrapassando Fronteiras tem bastante conteúdo pra você!

Falamos sobre a rota da Alsácia, na França, e em breve contarei sobre experiências em Bordeaux; na rota do Califa, o vinho verde da Espanha; e Saint Sadurni d’Anoia (a região produtora de cava). Se quiser saber sobre a Espanha, temos conteúdo sobre outras cidades e regiões, como Valência e Andaluzia. Então não deixe de conferir!

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