Zurique: a profunda natureza e a extrema riqueza

Quando me mudei para a Alsácia, priorizei conhecer nos finais de semana, em bate e volta, as cidades francesas próximas. O fato é que eu não podia ignorar as distâncias. Estou na fronteira com a Alemanha e a Suíça. Faz, portanto, muito sentido conhecer os vizinhos dos outros países!

Quando cheguei, o céu de Zurique estava branco e mal se via cor
Quando cheguei, o céu de Zurique estava branco e mal se via cor

Ampliando o raio da já visitada Freiburg-im-Breisgau e de Basel, onde vou com frequência, eu não podia deixar de lado Zurique – ou Zurich. Além de um centro financeiro importante, a cidade é bela, é um destino famoso e está a apenas 120 quilômetros de onde eu moro. Outro fator importante a considerar é a hospedagem que eu economizaria, tendo em vista que esse é o lugar mais caro do mundo.

Detalhes charmosos dos bairros antigos de Zurique
Detalhes charmosos dos bairros antigos de Zurique

Vamos lá! Mas, olhando os preços de trem, para ir e voltar, eu gastaria entre 80 e 100 euros. Caro, não? Dependendo da antecedência e o planejamento, eu despendo entorno disso numa passagem para um lugar beeem mais longe! Foi então que procurei os valores da companhia Flixbus, com a qual adquiri cada trecho por 8 euros! Sim! Em vez de 100, gastei 16 euros. A duração? Praticamente a mesma do trem, apenas 20 minutos a mais!

De manhã, muitos estavam dando uma caminhadinha matinal
De manhã, muitos estavam dando uma caminhadinha matinal

Foi então num sábado de outono que acordei às 6 da manhã para pegar o busão das 7h30. Fui morrendo de sono, mas bem confortável num ônibus novo e infinitas vezes mais limpo que os trens aqui da minha região. Primeiro ele parou no EuroAiport, depois passou a fronteira (a parte mais chata, com inspeção, etc de policiais franceses e também os suíços), parou em Basel e então seguiu o restante do caminho para Zurique. Total? 1h50 de viagem até Shilquai/HB, a rodoviária local que fica ao lado da estação central.

A Estação Central é um importante ponto de chegada e conecta Zurique ao aeroporto
A Estação Central é um importante ponto de chegada e conecta Zurique ao aeroporto

Zurique não é enorme. Tem cerca de 400 mil habitantes. Na área central está tudo muito pertinho, concentrado. Um pouco mais distante ficam apenas as mega mansões. Visitar a cidade, portanto, não é difícil nem muito demorado, ou seja, perfeito para um bate e volta! Fica então a dica para quem estiver nas redondezas ou fizer uma escala mais longuinha.

Museu Nacional Suíço, pertinho da estação e da rodoviária
Museu Nacional Suíço, pertinho da estação e da rodoviária

Meu passeio começou saindo a pé de Shilquai e caminhando pelo lado oposto do rio (minha esquerda), na Limmatquai. O céu estava completamente branco, tudo nublado por conta da época do ano e o horário (9h30). Foi só andar um pouquinho que vi muitos asiáticos fazendo a mesma coisa que eu: saindo de ônibus ou trens e dando uma voltinha por ali, com ou sem malas, tirando muitas fotos. Também encontrei bastante gente dando uma corridinha matinal.

Paisagem do rio quando o sol apareceu
Paisagem do rio quando o sol apareceu

Andei todo esse lado do rio, passando por pontes, relogiões lindos no alto de torres, folhas amarelinhas caindo e belos prédios, como a Ópera. Mais ou menos nessa altura, o rio se aproxima do lago que dá nome à cidade. É o ponto mais mágico de Zurique, parece uma pintura: diversos veleiros cobertos faziam um leve balanço enquanto andorinhas descansavam sobre eles, patos nadavam pelas águas repletas de pinceladas amarelas de folhas; quase ninguém estava na rua, era eu, a natureza e o silêncio.

A magnífica paisagem do rio Zurich
A magnífica paisagem do rio Zurich

Sentei ali em um banco por um bom tempo e curti a paisagem. Era difícil que acreditar que pudesse existir tanta paz, calmaria e harmonia entre o paradoxo cidade e natureza. Eu nunca senti em minha vida aquela sensação. Ela ecoa em minha memória até hoje. Era como se eu estivesse em uma das minhas mais profundas meditações, mas sem mantra e sem esforço de concentração. Eu simplesmente me conectei com o universo ali, da forma mais simples e leve, como nenhuma floresta ou área deserta antes me propiciou.

As ruas do centro antigo de Zurique
As ruas do centro antigo de Zurique

Desse ponto, voltei no sentido inverso, mas do mesmo lado do rio, porém pelas ruas de dentro do centro antigo, no bairro Altstadt. Fui andando quadra a quadra, praticamente em zigue-zague, curtindo cada cantinho desse bairro beeeem turístico e charmoso, repleto de lojinhas – que é melhor você nem olhar o preço e nem pensar em comprar, pois os valores chegam a atingir duas vezes os da França – e construções bem parecidas com as de Basel. É ali que está a igreja Grossmünster e, mais pra cima, a Universidade.

O charme das igrejas de Zurique e suas torres pontudas
O charme das igrejas de Zurique e suas torres pontudas

Quando eu cheguei novamente na altura da estação, andei a outra margem e passei por dentro de todo Lindenhof, um pedaço de centro histórico lindinho, cheio de passagens por baixo dos prédios, à beira do Limmat. Ali vi a igreja St. Peter Pfarhaus e a Fraumünster e circulei o monumento Centralhof, até cair no Quaibrücke, a outra margem do lago, onde está a saída dos passeios de barco regados a raclette e fondue.

Ponto de saída dos passeios de barco de Zurique
Ponto de saída dos passeios de barco de Zurique

Andei então toda essa margem até o parque Arboretum, onde sentei novamente. Ali a sensação de paz e felicidade reinou novamente. Inacreditável!

Jelmoli, sofisticada loja de departamento
Jelmoli, sofisticada loja de departamento

Foi nesse estado de conexão que segui até a Banhofstrasse, rua da região das grandes marcas. O cenário e a experiência foram completamente opostos ao que vivi no lago: uma multidão fazia fila na porta de lojas como Gucci e Louis Vuitton. Além das grandes grifes, está ali a sofisticada loja de departamentos Jelmoli, que está para Zurich como a Laffayette e a Primtemps estão para Paris. Um pouco mais à frente fica a Manor, mais popular. Nesse momento, já era quase hora de voltar e peguei meu caminho de volta para Shilquai, passando em frente o Museu Nacional Suíço, que ficou para uma próxima! Ao todo, foram 14 quilômetros percorridos divididos em seis horas intensas.

O momento mais bonito daquele dia: quando o céu refletia no rio
O momento mais bonito daquele dia: quando o céu refletia no rio