Mulhouse, o melting pot francês

Mulhouse é segunda maior cidade da Alsácia. Com os seus cerca de 100 mil habitantes, é o melting pot da França: já mudou de mãos entre franceses e alemães diversas vezes, já teve fortes migrações de italianos, das ex-colônias e de turcos e, por estar na fronteira, é dormitório de muitos alemães e suíços. Muito impactada pelas guerras, a cidade tem um centro histórico com poucos imóveis originalmente medievais e diversas casas são réplicas, reconstruindo a paisagem devastada pelos bombardeios.

A praça central de Mulhouse
A praça central de Mulhouse

A grande força de Mulhouse está na potência dois segmentos: as indústrias têxtil e automobilística. Foi nos arredores que se desenvolveram, por exemplo, a Peugeot e a Bugatti. A diversas plantas de tecidos abasteceram o mundo todo. E foi por conta do trabalho nessas empresas que muitos emigraram para a região.

A fachada de muitas construções do centro foi pintada para a reconstrução do pós-Guerra
A fachada de muitas construções do centro foi pintada para a reconstrução do pós-Guerra

Nos anos 1970, contudo, muitas empresas fecharam as portas. A arrecadação de impostos, por mais que tenha diminuído, continuou relevante e, com isso, Mulhouse mantém até hoje uma ótima infraestrutura: ruas impecáveis, transportes excelentes e boas faculdades. Nunca vi, em toda França, a qualidade dos trams, dos ônibus e dos campus universitários que existem nessa cidade.

Trams excelentes distribuem os passageiros por diferentes linhas em Mulhouse
Trams excelentes distribuem os passageiros por diferentes linhas em Mulhouse

Como é então o turismo? Muito focado nos congressos e feiras e em moradores dos países da fronteira. É a cidade mais barata para compras das redondezas e onde suíços e alemães – de Basel e Freiburg, por exemplo – vão fazer supermercado ou visitar lojas.

As trilhas da Floresta Tannenwald
As trilhas da Floresta Tannenwald

Mulhouse também visitada pelos vizinhos na época do Natal. Uma bela feira, típica nessa região da Alsácia, é montada na praça central, a Place de la Réunion, no último final de semana de novembro. Além de dezenas de barraquinhas de comida e produtos natalinos, a praça ganha uma roda-gigante. É nos arredores da praça que estão as principais lojas, restaurantes e a catedral.

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A vista para os alpes em Mulhouse

Existe, contudo, um legado dos tempos áureos da indústria que também movimenta o turismo: os museus técnicos. É em Mulhouse que está situada a Cité de l’automobile (Cidade do Automóvel), o maior museu dedicado ao tema de toda Europa. Um verdadeiro Louvre dos carros, essa atração é oriunda da coleção particular de uma família de industriais que faliram e seus carros se tornaram de propriedade pública.

Raridades de diversas décadas em perfeito estado de conservação
Raridades de diversas décadas em perfeito estado de conservação na Cité de l’automobile

Uma outra atração bastante procurada é a Cité du Train (Cidade do Trem) que, com diversos vagões, percorre a história desse meio de transporte. Ao lado, está o EDF – Electropolis, voltado à energia, mas que não recomendo por ser um museu bem ruim.

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Como não podia deixar de ser, a indústria têxtil também tem um espaço: o Musée de l’impression sur étoffles. Ele ótimo para que curte moda e quer conhecer o percurso técnico e do design da estamparia.

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Os industriais deixaram ainda outras marcas. O Parc Zoologique et Botanique, de um zoológico particular hoje virou um dos três lugares mais visitados da região. O Parc Alfred Wallac, cercado pela floresta Tannenwald, era o jardim particular de um empresário.

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A tranquilidade do Parc Alfred Wallac

Uma das características que é interessante observar é que várias fachadas, como a da prefeitura, que coloquei acima, e muros do centro são pintados com temas do Renascimento.

Mulhouse não é uma cidade para se hospedar nem um destino prioritário da França. Mas se você curte estamparia, automóveis ou trens, é um lugar para dar um pulinho quando estiver passando pelos arredores. Cidades mais turísticas como Basel, Freiburg, Belfort, Colmar, Riquewihr, Séléstat e Strasbourg não estão longe e, quem sabe, você não dê uma desviadinha pra ver a mais famosa coleção de carros lá na Cité de l’automobile? Ou, se estiver de bike na EuroVelo6, 15 ou na 5, quem sabe não queira adentrar pelas ciclovias da cidade?

A EuroVelo passa por um dos canais de Mulhouse, perto da Estação Central
A EuroVelo passa por um dos canais de Mulhouse, perto da Estação Central

Como é o clima? Continental! Ou seja, muito quente no verão e muito frio no inverno. A temperatura pode variar, ao longo do ano, de 35 a -20. No geral, estamos falando de 30 no verão e -2 no inverno. Assim, os períodos entre abril e junho e setembro e novembro são os melhores, com clima mais agradável. Pela umidade ser elevadíssima (mas não chove muito) e o sol ser de montanha, sentimos muito mais o calor e o frio. É muito diferente do que eu estava acostumada em São Paulo!

EuroAiport: um aeroporto, três países
EuroAiport: um aeroporto, três países

Para chegar, o EuroAiport, dividido entre França, Alemanha e Suíça, é uma opção para quem vem de longe. A estação central conecta a toda a França e aos países da fronteira. Ônibus também podem nos levar, por meio de baldeações em outras cidades, a locais mais distantes em algumas horas, como fiz uma vez de lá até Milão, na Itália, com uma conexão em Zurique.

Vista da Tour du Belvedère para os alpes
Vista da Tour du Belvedère para os alpes

Se for ficar mais de um dia, sugiro que aproveite para dar um pulinho da Tour du Belvedère, uma torre metálica de observação construída no século XIX de onde podemos ver os alpes e a floresta negra! É possível também ver se tem alguma degustação na Kunsthalle, a galeria de arte de um dos campus da universidade. E checar a programação do Museu de Belas Artes. O acervo não tem nada de mais, mas as exposições às vezes são bem interessantes…

E, se quiser comer entre esses passeios, o lugar mais descolado pra comer e beber na cidade é o NoMad! Os demais não acho tão interessantes pra destacar, a não ser os Michelin, lógico!

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Confira também:

O brunch do NoMad Café é disposto entre sete mesas, distribuídas pelo restaurante de acordo com o tipo de alimento Foto: NoMad/Divulgação
O brunch do NoMad Café é disposto entre sete mesas, distribuídas pelo restaurante de acordo com o tipo de alimento Foto: NoMad/Divulgação