Natzweiler-Struthof, antigo campo de concentração no atual território francês

Alguns lugares precisam ser mantidos para nos lembrar do que não deve ocorrer novamente. As gerações precisam sempre ouvir o bom e o ruim da história e entender que a intolerância e o extremismo podem levar a um caminho muito terrível. O Natzweiler-Struthof é um desses lugares. Foi um campo de concentração alemão situado nas montanhas dos Vosges, no atual território da Alsácia, na França.

O Natzweiler-Struthof está na cidade de Schirmeck, a 50 km de Strasbourg. Foi o único campo de concentração nazista no território francês, tendo em vista que entre 1941 e 1944 a Alsácia era administrada pela Alemanha. Ele operou entre maio de 1941 e o final de 1944, quando foi evacuado pela armada francesa e a norte-americana.

A entrada do Struthof e o acesso ao museu
A entrada do Struthof e o acesso ao museu

Estima-se que cerca de 52 mil prisioneiros passaram por ali. Entre eles estavam pessoas ligadas ao movimento de resistência aos territórios ocupados pelos alemães. Foi um campo de trabalho, de trânsito e, pior, de execução, além de local em que experiências horripilantes e estudos de anatomia foram conduzidos com os pobres presos. Estima-se que 22 mil pessoas morreram em Natzweiler-Struthof.

Hoje o campo é um memorial. Um lugar arborizado e pensado para que o silêncio traga reflexão. Exposições de artistas contemporâneos alertam também sobre a temática. O European Centre of Deported Resistance Members também está situado nessa área. Há ainda um monumento para os deportados dentro das instalações do antigo campo.

A ambientação original foi mantida nessas casas de Struthof
A ambientação original foi mantida nessas casas de Struthof

O atual museu foi reaberto em 1980 depois de neo-nazis terem o danificado em 1976. Atualmente, algumas áreas estão em reparos para conservar essa memória. Podemos visitar as casas em que os presos ficavam encarcerados, áreas em que eram torturados e sujeitos a trabalhos deploráveis, além do crematório. Um cemitério está na proximidade, mas infelizmente muitas vezes está fechado ou com lápides danificadas, pois tem recebido nos últimos anos alguns ataques de vandalismo.

Um fato que eu desconhecia era que um dos prisioneiros era Boris Pahor, que escreveu um livro entitulado Necropolis baseado na experiência vivida ali. Ando um tanto sensível para esse tipo de literatura e confesso que a biografia de Olga Benário já foi muito difícil de digerir. Mas guardei o título para um momento futuro.

O memorial de Struthof dedicado aos deportados de diversas origens como russos, franceses, poloneses, além de homossexuais presos ou assassinados ali
O memorial de Struthof dedicado aos deportados de diversas origens como russos, franceses, poloneses, além de homossexuais presos ou assassinados ali

A visita, como eu imaginava, mexeu bastante comigo. Só de estar ali, eu me sentia pesada e triste. Eu não achei, contudo, energeticamente, ruim; falando numa ótica espiritualizada. Senti que existe um lamento, com muito respeito e carinho. Tudo o que havia de ruim se esvaiu. A paz e a sobriedade então imperaram sob aqueles ares, como anjos que voam sobre as belas montanhas que circundam o lugar.

Por mais que eu tenha sentido essa paz ao redor e uma grande revolta e tristeza dentro de mim, eu não tive coragem de entrar nas antigas casas que serviram de cozinha, prisão, entre outras funções do campo. Se tiver mais coragem que eu, você também conseguirá visitar.

Uma lamentável informação é que mais de uma vez o cemitério foi alvo de vandalismo neo-nazista. No final de 2018, foi uma das vezes. Esse evento foi divulgado por várias agências de notícias no mundo todo.

A vista para os campos de trabalho de Struthof, além do cemitério situado na parte mais alta
A vista para os campos de trabalho de Struthof, além do cemitério situado na parte mais alta

O Natzweiler-Struthof ou Struthof conta com visitas guiadas e fica aberto de março a 23 de dezembro. Informações sobre horários, preços e acesso estão no site deles. Adianto que o tíquete não é caro, o estacionamento é gratuito e a experiência histórica extremamente relevante. Como fica em um local fora de grandes cidades ou estradas, só é possível chegar de carro.

Fizemos essa visita no meio de um tour. Antes nós passamos pelo Haut-Koeningsbourg e depois de Struthof fomos jantar em Riquewhir, minha cidade favorita da rota do vinho da Alsácia. É possível visitar perto dali também o famoso Mont Sainte Odile, onde está um monastério, o Champ de Feu, onde está uma uma renomada estação de esqui, ou até fazer um bate e volta de outras cidades como Colmar e Strasbourg.

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