Como encontrar certidão de nascimento de familiar estrangeiro

Boa parte dos brasileiros que moram ou querem morar fora têm grande interesse na obtenção de uma cidadania estrangeira. A população do Brasil é composta de uma grande parcela de descendentes de estrangeiros, como portugueses, italianos, espanhóis, japoneses, entre outras tantas nacionalidades que compõe a diversidade do país. O primeiro e o mais fundamental passo desse processo é a localização da certidão do familiar estrangeiro.

Já localizei sozinha três certidões. Duas na Itália e outra na Espanha. Uma foi muito fácil, pois eu já tinha experiência. A primeira eu penei. E tem outra certidão que demorei dez anos para desvendar o mistério… Então resolvi escrever para ajudar aqueles que estão à procura desse tão desejado documento.

Antigamente, era muito comum as pessoas dizerem que vinham de uma cidade e na verdade era de outra. Qual o motivo? Na Europa existem muitas cidades beeem pequeninas e ainda hoje tem várias. Era muito mais fácil e chique falar que morava na cidade grande mais próxima. Seria como nascer em Borá, a menor cidade do Estado de São Paulo, e dizer que vinha de São Paulo.

Taí o primeiro problema. Agora imagina que meu bisavô espanhol dizia que era de Granada, a minha bisavó italiana de Roma e o meu bisavô italiano de Galluccio. Na verdade um era de uma cidade a 30km de Granada, a outra de uma cidade em uma região totalmente diferente de Roma e o último morava em Galluccio e três irmãos nasceram lá, mas ele nasceu em Roma! rs

Uma rica fonte de dados sobre a cidade de origem é algum documento do próprio Brasil. Pode ser a certidão de casamento, o RNE ou até o óbito. No meu caso, só um deles dava a informação precisa, mas ela era diferente do que meu bizavô dizia e eu não acreditei…

Vamos então a outro caminho. O Arquivo Nacional e o Memorial do Imigrante oferecem uma infinidade de documentos digitalizados. Entre eles estão as listas de bordo, aquelas que registravam as pessoas e famílias presentes em um navio. A outra era a certidão de desembarque. A busca pode ser feita por data de chegada, nome do chefe da família (ele que será a base de todas as fontes de pesquisa) e o vapor (navio).

Primeira experiência: documentos de familiares espanhóis

Imagina agora que eu tinha de procurar um espanhol com sobrenome Gonzalez! Difícil, né? Tinha uma série de homônimos. Eu fiz um filtro por período em que ele deveria ter vindo e procurei o chefe de família em todos os navios da época. Depois de vários finais de semana pesquisando… encontrei o nome do meu tataravô! Estava lá certinho o nome da cidade em que ele tinha nascido (o que falavam para a minha avó), todos os familiares, a cidade para qual ele ia e a última residência.

Pela última residência eu fiz a busca da certidão. E era lá mesmo! Mandei um pedido por carta por não ter o e-mail do cartório, demoraram meses para responder, mas depois encaminharam para a minha casa! Imagina a emoção! Com ele, consegui fazer a cidadania espanhola sozinha, de graça, para a minha avó. Conto nesse post como foi!

Segunda experiência: documento no interior da Itália

A minha bisavó italiana foi muito simples. O sobrenome era mais raro, Rea. Coloquei o nome do pai dela e logo apareceu a cidade que ele tinha nascido, a família inteira, onde ele morava antes de vir e o nome do navio. Ele nasceu e morava na mesma cidade. Pesquisei no Google o nome do Comune, encontrei o site e lá tinha o e-mail do Uffizi (cartório). Eles responderam três dias depois com a imagem digitalizada da certidão! Que eficiência! Dez dias depois o documento físico estava em casa, na minha caixa de correio.

A mais difícil tentativa: documento italiano em uma cidade diferente do esperado…

Agora vou contar o caso que tentei por anos desvendar. Quem sabe não seja o seu… O meu tataravó veio de Galluccio (mas não nasceu lá) e o nome da cidade está em todos os documentos que temos, inclusive no passaporte familiar, nas listas de bordo, no registro de entrada… Pedi a primeira vez para o cartório e para a igreja e me disseram que a cidade tinha sido bombardeada e os arquivos perdidos. Foi aí que achei um primo que tinha encontrado a certidão do antenato dele (irmão do meu bisavô) em Galluccio. Peguei a certidão e questionei o cartório. Eles fizeram uma varredura e encontraram três filhos registrados lá (inclusive o do documento do irmão dele que eu já tinha).

Subi então o pedido para a Cúria da região, por e-mail. A Cúria é responsável por um grupo de igrejas de uma cidade, estado ou região. Quem sabe ele não tinha sido batizado em outra igreja próxima? Mandei também e-mail a várias cidades que estavam até 50 km de distância. Foi um trabalho cão! Alguns responderam, outros não. E não achei nada.

Enquanto isso, fui pesquisando no Family Tree, um site maravilhoso que tem tanto árvore genealógica quanto documentos antigos. Muita gente acha documentos de familiares lá. Tenho vários amigos que conseguiram. Os meus não encontrei. Só achei o registro de entrada do meu tataravó nos EUA. Sim! Ele saiu da Itália, foi pros EUA, não gostou, voltou para a Itália e depois veio pra cá! Um aventureiro!

Depois descobrimos que a família morou, antes de Galluccio, em outra cidade a 80 km de lá e em Roma. A informação veio de uma prima distante, neta do mesmo antenato, e um primo neto do irmão mais velho. Esse primo descobriu que o avô, o primogênito, tinha nascido em Roma e encontrou o documento.

Fiquei atrás dos documentos nesses dois lugares. Esperando resposta. Até que descobri um site, o Antenati Beneculturali, que tem digitalizado vários documentos. Lá estava a certidão! Acredita? Fácil assim! Procurei na lista de sobrenomes registrados em Roma, achei o nome, a página e o livro e depois peguei a imagem do documento no livro!

Com a imagem, enviei uma carta à Roma pedindo a cópia. Eles demoram bastante para enviar, viu? Cerca de quatro meses.

Por conta da demora, eu acabei pedindo ajuda de uma amiga italiana. Ela me indicou então o site Pratiche, que funciona na Itália como o site Cartório 24 horas do Brasil. Lá você pede o documento, envia uma cópia do seu documento pessoal (no meu caso, o passaporte brasileiro), uma carta de autorização para retirarem os papeis pra você e paga uma taxa pela certidão e outra com base no destino de envio. Como eu precisava de um frete rápido de um país a outro, saiu meio salgado, 75 euros no total. No entanto, uma semana depois eles enviaram a certidão digitalizada por e-mail e 15 dias depois eu já estava recebendo o original em casa! Juntei ele com as certidões brasileiras e fui até o consulado mais perto da cidade onde eu morava na França. Conto essa experiência também aqui no blog!

E você? Já achou o dos seus familiares? Se não achou, vamos resumir:

  • Veja se consegue algum documento do país de onde ele veio, como o passaporte
  • Olhe dados na certidão de casamento, RNE e óbito
  • Busque informações no arquivo nacional do estado em que ele entrou e no memorial do imigrante
  • Busque no Family Tree
  • Monte a sua árvore genealógica no Family Tree para ver o site consegue, ao ver os dados, conectar informações de arquivos digitalizados ou outras árvores
  • Procure familiares distantes e mais idosos para checar se têm alguma informação
  • Pesquise em outros sites como My Heritage e Family Search, que funcionam como o Family Tree e podem ser fonte
  • O site http://www.ciseionline.it tem uma pesquisa por imigrantes de diversos registros de saída e entrada
  • O site http://www.gens.info/italia/it/turismo-viaggi-e-tradizioni-italia#.WuMyUi8nSRY traz um mapeamento de origem de sobrenomes, mas as pessoas mudam e não acredito tanto nessa ferramenta
  • Esse site traz informações de imigrantes por sobrenome http://www.familiaandrich.com/familia/index2.htm

Quando encontrar o dado por alguma dessas fontes, envie um e-mail para o cartório da cidade. Você pode encontrar o cartório pesquisando o nome da cidade + o termo prefeitura e no site da prefeitura procurar a área de registro de pessoas. Dê preferência à certidão de nascimento em relação à de batismo. Se não achar mesmo a certidão, procure as igrejas da cidade e, em último caso, a Curia. Não deixe de escrever uma carta bem feitinha e com a língua local impecável. Eles levam isso em conta.

Algumas prefeituras e cúrias não respondem e-mails e cartas e só atendem pessoalmente. É má vontade mesmo. Mas acredite e vá fundo na sua pesquisa! É apaixonante e nos dá ainda mais vínculo com o país ao qual estamos pedindo a cidadania. Hoje temos a Internet e, com isso, muitas ferramentas para tirar dúvidas e fazer buscas!

Já achou todas as certidões brasileiras dos seus familiares? Veja o que é e como funciona o apostilamento. Se não tiver encontrado, confira o texto que escrevi sobre como localizar documentos brasileiros de familiares falecidos! Ao encontrar, não deixe de conferir os posts como reconhecer cidadania espanhola de filhos e netos de espanhóis e como reconhecer a cidadania italiana morando no exterior.

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