Antuérpia, entre as pinturas de Rubens e os diamantes

Na viagem em que estive uma semana na Bélgica, hospedada em Bruxelas, fiz vários bate e volta maravilhosos com a minha afilhada. Um deles foi para a Antuérpia, conhecida internacionalmente como a região que mais lapida diamantes do mundo. Confesso que a informação sobre essa pedra reluzente que gosto muito foi um dos grandes atrativos que vi na cidade. Eu só não imaginava que eram as outras atrações que me marcariam mais.

A Antuérpia fica pertinho de Bruxelas. Dá 50 minutinhos de trem. A distância é a mesma para Gante, outra famosa cidade do País. Já Bruges, um dos lugares mais lindos que já fui na vida, está a 1h20 de lá, em direção à Holanda.

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O destaque para a praça do Mercado da Antuérpia e o relógio da catedral

A segunda maior cidade da Bélgica, não é tão grande assim. Tem aproximadamente 500 mil habitantes. Em um dia você consegue dar uma bela conferida em todas as maravilhas que tem por lá! O passeio já começa na Estação Central. E, por favor, assegure que você comprou o tíquete de um trem que pare nela, pois a cidade tem outras estações.

É a mais linda que já vi. Parece um palácio. Eu poderia ficar só ali um tempão observando a estrutura, a arquitetura, os adereços e a forma como estão organizadas as plataformas, divididas em diferentes andares, uma em cima da outra! Construída no comecinho do século XX, é toda adornada.

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A maravilhosa estrutura da Estação Central

Já saindo de lá você verá diversas joalherias. Eu me empolguei e já fui vendo o preço de várias peças. Logo me desiludi. Acho que foi o lugar mais caro que já vi para comprar joias. Melhor deixar pra rua do Ouro de São Paulo! É justamente a fama da cidade que faz o comércio cobrar montantes inflacionados por cada peça linda. Se tiver mesmo na pegada da pedra preciosa, existe até um museu dedicado a ela, o Diamantmuseum, mas nós não fomos.

Depois de se desiludir com preços, pois tenho certeza que vai querer dar uma espiada nas vitrines, siga para o Centro Histórico pela Meir, a principal rua de compras de lá, onde estão de lojas locais simples a grandes marcas, além de restaurantes e bares.

Como museus fecham mais cedo, sugiro que passe primeiro na Rubenshuis, o museu na casa que foi do Rubens, o famoso artista barroco do século XVII. Ele era alemão, mas viveu e trabalhou na Bélgica. Essa casa era também o estúdio dele. O projeto arquitetônico foi do próprio músico, inspirado no Palácio de Gênova, na Itália.

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A cidade é super bem sinalizada com essas placas

Eu, infelizmente, deixei essa visita por último, por estar perto da estação, mas a bilheteria estava fechando no momento que chegamos! Os ingressos são vendidos na porta, na rua Wapper 9, numa grande estrutura de vidro que criaram para organizar o acesso ao belo casarão. A entrada para adultos custa 8 euros e na última quarta do mês é gratuita. Fecha às segundas.

Se quiser continuar na rota do Rubens, perto da antiga casa dele está a Igreja de Santiago (Sint-Jacobskerk), onde o artista está enterrado. Depois de viajar na vida dele, direcione-se ao coração da cidade e pare, na Groenplaats, em outra igreja, a Catedral da Nossa Senhora, concluída em 1521, após 170 de construção, e cuja segunda torre até hoje não foi finalizada. Essa é a maior igreja da Bélgica e a torre que foi finalizada tem mais de 120 metros de altura, sendo considerada Patrimônio da Humanidade da Unesco. Na minha opinião, os principais atrativos são os quatro painéis pintados por Rubens sobre a história de Cristo. O ingresso custa 5 euros e ela funciona de segunda a sexta das 10 às 17, sábados das 10h às 15h

Saindo da Igreja vá para o Grote Markt, onde está boa parte das principais construções da cidade: a prefeitura, de 1565, em estilo flamenco e repleta de esculturas, e a estátua Brobe, representando um herói de uma lenda local que teria derrotado um gigante que cobrava caro àqueles que quisessem atravessar o rio. Você também verá as Guildenhuis, um grupo de casinhas coloridas típicas dessa região.

Ao redor da praça tem diversos café, restaurantes e cervejarias. Aproveite para almoçar por ali ou tomar uma das famosas bebidas locais, afinal, você estará na terra das melhores cervejas do mundo! Outra opção é ir à barraquinha Fritot Max, a mais famosa de batatas fritas da cidade. Não dá pra perder, né? Afinal, os belgas dizem que esse prato foi criado lá!

Ali perto existe um castelo, o Het Seen, uma fortaleza medieval datada do século XIII, situada na margem do rio. Ela já foi uma prisão e hoje é um museu dedicado à memória da II Guerra Mundial.

Como você verá, a Antuérpia é cheia de mitos e lendas. Na frente do Het Seen está o Lange Wapper, que diziam ser o perseguidor dos bêbados da locais. Também verá o Semini, deus da juventude e fertilidade, no qual as mulheres, antigamente, faziam uma poção para engravidar com pó das pedras do pênis dele. Veio, entretanto, a inquisição e… deixaram a escultura eunuca…

Outra curiosidade é que a cidade também tem várias Marians, pequenas estátuas que ficam na esquina das ruas, na fachada de alguns prédios. Observe pelas vias em que andar! Elas dão um toque bem fofo à cidade.

Outro elemento que curti bastante foi a sinalização. Além de ter várias faixas bem bonitas, a Antuérpia oferece placas bem coloridas com a direção dos pontos turísticos, o que torna muito fácil se localizar por lá!

Se estiver ou não no pique de mais um museu, não deixe de passar no Aan de Stroom. O ingresso custa 5 euros, mas não precisa entrar se não estiver animado! A grande beleza dele é a vista panorâmica que oferece da cidade! E não paga para subir as escadas até o penúltimo andar! A vista funciona das 10 às 24h e no outono e inverno até às 22h. Taí um bom local pra ver o pôr-do-sol!

Uma outra atração para quem curte arte é o Museu de Belas Artes da Antuérpia (Koninkliik Museum voor Schone Kusten Antwerpen). Lá estão algumas obras de renomados artistas flamengos, como van Eyck, van Dyck e Rubens.

Onde se hospedar? Como a cidade é pequena e é muito fácil viajar de trem pela Bélgica, sugiro que planeje sua viagem por todo o País tendo Bruxelas como base. Os hotéis e trens não são caros, o que facilita a organização e você não precisa ficar pingando de um hotel para o outro.

Pra quem tem um tempinho a mais, a única cidade da região em que recomendo aproveitar pra curtir um pouquinho mais é Bruges, que merece um final de semana tranquilo, seja ele romântico ou não, por mais que seja possível ver tudo em um único dia. Aliás, não deixe de conferir os posts sobre Bruges, Bruxelas, Gant, Namur e Dinant. Estive em todas essas cidades quando passei uma semana na Bélgica.

Peço desculpas por não ter incluído mais fotos, mas as imagens da Bélgica foram impactadas por um assalto que sofri na volta, no Brasil. 😦