A imperial Kaysersberg

Essa poderia ser mais uma das diversas cidades medievais da rota do vinho da Alsácia. Mas não é. Cercada de vinhedos, casas fofas, flores e montanhas, como as demais, Kaysersberg tem uma aura a mais. Ela tem um charme discreto e pomposo. Suas casas são, em média, mais largas e sólidas. O riacho que por ali passa dá um ar bucólico, com pedrinhas e movimento de água.

Não estou querendo comparar com a linda Petit Venize de Colmar ou a sofisticação de Riquewir nem com o grande movimento e adereços exagerados de Ribeauvillé. Kaysersberg é diferente das vizinhas. A sensação que tive é que foi uma cidade mais rica na Idade Média, o que refletiu na arquitetura. Talvez seja isso o que enxerguei de diferente.

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As charmosas casas vistas da ponte fortificada

Com nome cujo significado é montanha do imperador, está a 14 km de Colmar. A posição estratégica permitia controlar por lá quem chegava da Alsácia e da Lorena. Teve uma história muito marcada por altas e baixas. Foi ocupada pelos militares desde a época dos romanos e transformada em fortaleza no século XIII, período de prosperidade em que estava sob o controle da família Hohenstaufen. Foi nessa época que se tornou cidade imperial (Santo Império) e se tornou grande exportadora.

O começo do século XVII, entretanto, foi muito difícil para Kaysersberg. A Guerra dos 30 anos deixou a região arruinada e a cidade só se reergueu na segunda metade dos anos 1600. No XIX se instalam por ali diversas indústrias têxteis e no XX a vila é parcialmente destruída pela II Guerra Mundial.

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Passando pela rua General de Gaulle no final do dia. Já estava tudo vazio

Cheguei à Kaysersberg num final do dia. Já tínhamos passado por Ribeauvillé, que não morri de amores, e Riquewir, a minha favorita da região. O fato é que eu não queria voltar para casa naquele feriado sem ter visto um castelo. Eu sabia que lá existiam as ruínas de um e que não era muito longe do Centro.

Já era 19h e a cidade estava vazia. Por um lado, foi bom para conseguir estacionar e não ter de pagar o parquímetro. Por outro, parecia uma cidade fantasma. Ninguém na rua. O Fernando, meu namorado, até brincou que estava com medo.

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Nas ruas com as mulhas de destaque ao fundo

Como passamos a entrada da trilha do castelo, acabamos dando a volta completa na cidade, passando por vários restaurantes, bares, hotéis e lojas. Tudo está mais ou menos concentrado na rua principal, a General de Gaulle, onde está a prefeitura, a igreja, a casa de banhos, e a ponte que proporciona uma das mais belas visões da região, passando por quintais de diversas famílias e estabelecimentos. Por ali também está a casa do mais famoso morador da região e Prêmio Nobel Albert Schwitzer.

Kaysersberg foi onde mais vi produtos essencialmente da região à venda. Porcelanas, bolos, bolachas, vinhos, taças, bonecas, enfim, um pouco de tudo o que é produzido na Alsácia.

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Meu trecho favorito do rio visto também da ponte

Perto da ponte está a trilha para o castelo, curtinha e pouco íngreme. Ela é seguida por outros caminhos que levam a cidades próximas da rota do vinho. Acima do castelo ainda há alguns mirantes. Era final de tarde e o céu estava com uma iluminação bem bonita. Aproveitamos pra curtir as cores e fotografar.

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Olhe que linda a vista da trilha

O castelo imperial foi construído entre os séculos XIII e XVI e é um bom representante da arquitetura local desse período. Dentro das ruínas encontramos um grupo de quatro pessoas que fazia piquenique ao pôr-do-sol. Nada mal!

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As ruínas do castelo e, ao fundo, a vista da cidade

Assim como Colmar, a cidade tem um mercado de Natal bem famoso. Nesse período, Kaysersberg é toda decorada e se torna um movimentado ponto turístico. Seja no período de festas ou para fazer a rota do vinho da Alsácia, esse é um interessante destino a ser combinado com Eguisheim, Riquewir e, lógico, a famosa cidade da Petit Venize.

Para quem quer fazer trilhas, pode sair pelo caminho do castelo ou também ir à Thann, que propicia belos caminhos entre os vinhedos e uma linda vista de cima da montanha do Olho da Bruxa.

Se quiser dar ainda mais uma esticadinha, Strasbourg, além de Basel, na Suíça, e Freiburg, na Alemanha, estão bem próximas. E continue nos acompanhando! Morei na Alsácia e fiz diversos passeios pela região para descobrir novos lugarzinhos!

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