Como abrir uma conta corrente na França

Como abrir conta corrente na França

Quando cheguei à França para fazer meu doutorado, imaginava que ter cartão de crédito e débito de minha conta no Brasil em um banco internacional, no caso o Santander, seria suficiente para o meu dia a dia. Na prática, não foi isso que aconteceu. Pela falta de uma conta corrente, eu tive de pagar o meu primeiro aluguel (pediram depósito antecipado de seis meses) e o seguro residencial com uma transferência internacional que, além de IOF, demandava o recolhimento de 17% de DARF. Caro, não é?

A questão é que esse pagamento resolveu minha entrada no imóvel, mas não a instalação de luz. Para pedir a ligação de luz, é necessário ter um RIB – que é um número de pagamentos vinculado a uma conta bancária que traz o nome do banco – , número da conta, código BIC, IBAN; enfim, todas as infos para que uma pessoa de qualquer lugar do mundo possa enviar dinheiro para aquela conta ou debitar dela.

Fui então à procura de uma agência. Em Mulhouse, a cidade em que eu morava, além do correio (La Poste), tinha agência do BNP Paribas, Sociéte Generale e Crédit Agricole. Fui primeiro ao Sociétè e descobri que era necessário agendar um horário de reunião com o gerente. Lá só tinha horário para dez dias depois. Fui então ao BNP Paribas, onde consegui marcar o rendez-vous para o dia seguinte.

No horário marcado, levei a minha convention d’accueil (documento assinado pela faculdade e pela prefeitura que comprova que sou uma pesquisadora convidada), meu passaporte e o documento de pagamento e o contrato de aluguel como comprovação de residência. A gerente atrasou 1h30 eterna com um casal de idosos na sala. Sim! Tomei um chá de cadeira.

Quando ela me recebeu, foi muito simpática, pegou os meus documentos e me disse que eu teria de enviar o comprovante do seguro residencial, pois o contrato de aluguel não servia para comprovação de residência. Eu então ainda tinha o documento para entregar, mas saí de lá com o tal do RIB para conseguir pedir a ligação de luz.

Detalhe: ela não explicou nada de taxas, tarifas e todo o processo. Foi bem esquisito. Só me entregou uma cópia do calhamaço do contrato de 100 páginas que eu tinha rubricado e assinado, infelizmente, sem conseguir ler tudo por ser impossível fazer uma leitura de tudo aquilo em menos de um dia inteiro. A única coisa que explicou foi que eu conseguiria transferir dinheiro com aqueles dados, que o cartão demoraria um pouco e só depois de recebê-lo eu poderia movimentar a conta e fazer depósitos em dinheiro.

Saí de lá e três dias depois chegou pelo correio a minha senha de internet. No dia seguinte veio o número de cliente, que é o login de acesso ao internet banking e a serviços do banco, mas não é o número de depósito (esse eu já tinha recebido na abertura da conta).

Nesse meio tempo, eu já tinha enviado por e-mail o outro comprovante de residência. Uma semana depois o banco pediu para enviar uma nova imagem por essa estar escura. Eu não entendi nada, pois tinha passado uma foto em altíssima resolução.

Com o RIB, também fiz uma transferência do Brasil, via uma corretora, pois as taxas são bem melhores do que as dos bancos que utilizo. Além do câmbio ser melhor via corretora, a taxa de transferência é mais barata e para valores até 100 euros muitas vezes eles não cobram nada.

É por corretora também que carrego – quaaaando carrego – o cartão internacional pré-pago que tenho. Como sou estudante, é possível receber o depósito como manutenção de estudante no exterior e, nesse caso, o IOF é de 0,38%, o que o torna a opção mais em conta para utilizar dinheiro aqui.

O cartão só chegou um mês após a abertura da conta. Até lá, continuei usando o cartão pré-pago e meus cartões de crédito e débito internacionais do Brasil. Esses dois últimos geram sempre uma conversão de euros para dólares num câmbio ruim e ainda a cobrança de 6,38% de IOF…

A retirada do cartão do BNP Paribas foi no próprio banco com a secretária. A senha veio pelo correio, junto com o papel de retirada na agência.

Resumo da história: não é tão difícil abrir uma conta na França, mas é um processo demorado. Programe-se para fazer isso o quanto antes para evitar ter de correr na última hora com isso…

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