Entre os vales e pontes de Luxemburgo

Coloquei Luxemburgo no roteiro entre Bruxelas e Paris da viagem que fiz com a minha afilhada. Eu tinha quatro dias para incluir na nossa programação e achava que o tempo seria o ideal para conhecer todo o pequeno País. E foi! Com muita tranquilidade!

Com meio milhão de habitantes, o Grão Ducado de Luxemburgo tem um PIB altíssimo, é conhecido como um paraíso fiscal e é uma monarquia parlamentarista. Viajar ali é fácil pela moeda ser o Euro, pela segurança, além dos idiomas serem francês e o alemão e praticamente todo mundo falar inglês! Não raro ouvimos na rua brasileiros e portugueses que moram por lá.

As paisagens são bem bonitas e tudo é muito organizado. É charmoso e repleto de vales, colinas, jardins e palácios. Tive a sensação de que tinham colocado num lugar a França, a Alemanha e os EUA e depois chacoalharam dando Luxemburgo como resultado.

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Tudo é calmo, limpo e organizado como podemos conferir nessa foto

Como chegar e se deslocar em Luxemburgo

Luxemburgo está localizado entre a Bélgica, a França e a Alemanha. É dividido em três distritos: Diekirch, Grevenmacher e Luxemburgo, que dá nome à capital. É, portanto, fácil de chegar por diferentes trajetos.

Eu cheguei de trem e foi muito fácil. Em 3h30 fui de Bruxelas pra lá e em 2h de lá para Paris. Tem gente que faz, por exemplo, bate e volta de Paris, MetzFrankfurt e Trier. Saindo da estação pode-se ir a pé ou de ônibus aos hotéis. Uma dica: quanto antes comprar a passagem de trem, melhor a tarifa!

Nosso hotel foi escolhido por estar pertinho da estação. Como o país é muito seguro, não tem lá o tradicional risco de assalto nos arredores de estação central. Então foi uma ótima para chegar e sair! A cidade não é muito grande e fizemos tudo a pé.

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A vista da praça para a cidade baixa

O que ver em Luxemburgo

Patrimônio da Unesco, o Centro Histórico da cidade de Luxemburgo tem bastante atrações em relação ao tamanho dela. A Place Guillaume II é a maior do Centro e, se precisar de informações, o escritório de turismo é lá. Aliás, esse é um bom local para iniciar um passeio. Lá estão as feiras temáticas (Natal, Primavera, etc) e, no inverno, a pista de patinação. Perto você encontra a Escultura do rei Willian II, a prefeitura que está em um prédio muito bonito e uma fonte com água potável. Também por ali está o Grand Ducal Palace com guardas na frente (mais ou menos no mesmo estilo da coroa inglesa, inclusive com troca de turno) e a Câmara.

Outra praça interessante é a D’Armes, onde fica o Cercle Municipal e muitos restaurantes. Já a Place de la Constituition – conhecida pelo monumento a Gëlle Fra (Mulher de Ouro), dedicado aos que lutaram com o exército francês na I Guerra Mundial – é um local muito especial. Ela oferece uma visão privilegiada da cidade.

O que mais amei em Luxemburgo foi ver as pontes e os cenários em que conversam a cidade alta e a baixa. Uma delas é a Pont Adolphe, que já foi a maior ponte do mundo construída em formato de arco. Ela está situada acima do Vallée de la Pétrusse e divide a cidade em duas (alta e Plateau Bourbon). De uma outra, a Place de la Constituition, é possível visualizar todo esse panorama!

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As sobreposições de planos proporcionadas pelos diferentes níveis da cidade

Dali fomos à Pont Adolphe e descemos pelo lado esquerdo dela até o Vallé de La Pétrusse. Esse foi o momento que mais gostei da viagem. Nós caminhamos por cada cantinho, sem rumo, nos perdendo e nos encontrando nele. Vimos jardins maravilhosos e as grandiosas casamatas por fora, por estavam fechadas para reforma. Uma pena, pois dizem que o passeio é maravilhoso.

No Vallée de la Pétrusse
No Vallé de la Pétrusse

As casamatas são consideradas Patrimônio da Unesco e foram criadas no século XVI para ser um ponto de defesa e passagem entre as falésias rochosas, formando uma fortificação natural. Foram então criados quilômetros de túneis subterrâneos com instalações como cozinhas, oficinas, padarias… quase uma cidade. Em 1867, ela foi parcialmente destruída, mas restaram bons quilômetros, o suficiente para abrigar 35 mil pessoas na II Guerra. Hoje estão abertas ao público e representam um dos pontos turísticos mais procurados de Luxemburgo. De fora, elas parecem janelinhas.

A minha recomendação é que dedique bastante tempo a esse pedaço do Vallé de la Pétrusse, pois achei a melhor parte de Luxemburgo! E o mais diferente de tudo o que já vi na Europa. Subimos por um elevador panorâmico que adorei! A minha afilhada ficou morrendo de medo, encostada no cantinho, porque até o piso é de vidro!

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Um pouco mais do Vallé de la Pétrusse

Na cidade alta, passemos também na Catedral de Notre Dame, construída no século XVII, como igreja do colégio jesuíta, antes situado onde é hoje a Biblioteca Nacional (outro prédio memorável). No entorno vimos diversas lojas de grandes marcas e docerias excelentes. Comemos em uma delas e fizemos algumas comprinhas. Era a primeira quinzena de março e tudo estava em promoção.

Passamos ainda na Place Clarefountane, avistamos dali a Catedral de Notre Dame e dois ministérios (d’État e  Affaires Étrangères) e a escultura em homenagem a grã-duquesa Charlotte, falecida no final do século XX e bastante ativa votação em que o povo elegeu a continuidade da monarquia.

A Corniche, a varanda mais lindo do mundo
A Corniche, a varanda mais linda da Europa

Fomos então nos direcionando à varanda de Corniche, considerada a mais bela da Europa, passando pelo meio da Cité Judiciare, onde existem diversos prédios públicos e uma bela vista. Nessa varanda a vista é mesmo belíssima. Vemos rios, pontes, muito verde cercado pelas estruturas rochosas do vale. Paramos por lá e contemplamos. Ficamos um tempinho batendo papo curtindo o visual.

Estivemos também no Grund, um bairro de ruas pequenas e cheio de restaurantes. É bem gostoso de andar por lá. Nesse local estão o Niëmenster e o Museu da História Natural, mas não paramos para ver. Outro museu que não vimos foi o da História da Cidade de Luxemburgo.

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As ruas do Grund

Fizemos todo esse trajeto entre o primeiro dia (chegamos no final da tarde) e o segundo dia. No terceiro, tudo já estava mais que curtido e precisávamos escolher um novo destino daquele País para visitar.

Passeios fora da capital

Uma opção para conhecer era Vianden, uma pequena cidade do País com dois mil habitantes, perto da fronteira com a Alemanha. É a segunda cidade turística do Grão Ducado, por conta do seu famoso castelo e das paisagens do vale em que se situa. É também uma região muito procurada para passeios de bike e ecoturismo. As suas ruas medievais são atrações adicionais para incrementar essa visita!

Castelo de Vianden. Fonte: Crushtravels
Castelo de Vianden. Fonte: Crushtravels

Restaurado e transformado em museu, esse château medieval e a cidade de Vianden eram locais em que eu queria ir muito, mas tive de ceder às vontades da minha afilhada, que estava cansada de ver castelos e construções medievais depois de 15 dias de Europa. Eu recomendo, por mais que não tenha ido, pois já me falaram muito bem de lá.

Outro passeio bastante recomendado para fazer no Grão Ducado e que eu estava com muita vontade é o dos vinhedos do rio Moselle. Dizem que existem grutas e também castelos por ali e que, para chegar, é preciso fazer um passeio de barco pelo rio. Deve ser belíssimo não?

Catedral de Echternacht. Fonte: @dortestorup
Catedral de Echternacht. Fonte: @dortestorup

Sugeri ainda como opção Echternacht, uma cidade com um antigo monastério beneditino, já que não tínhamos ido a nenhum. Mas vamos lá: ela pesquisou na internet e escolheu Les Thermes, um misto de termas com spa e parque aquático. No fim, foi uma boa opção para relaxar, pois estávamos há muitos dias flanando, por horas, em diversas cidadezinhas. A cabeça estava descansada, mas o corpo não.

Estávamos hospedadas no Ibis Styles (aliás, um ótimo custo-benefício) pertinho da Estação Central de Luxemburgo. Na estação tem um ponto com saída de diversos ônibus. Nós pagamos um que parava perto das termas. Chegando lá, a arquitetura de cara nos impressionou. O lugar parece uma nave espacial!

Les Thermes de Luxemburgo: formas diferentes
Les Thermes de Luxemburgo: formas diferentes

Alugamos toalha e deixamos nossas roupas no locker e ficamos nas piscinas aquecidas um tempão. Eles têm piscina de ondas, uma em área externa, além de saunas (todas são nudistas) e um spa. Nós passamos praticamente o dia todo nas piscinas. Comemos um lanche lá mesmo, no  restaurante. Nesse dia, só saímos depois para jantar em um italiano da região do hotel.

Quanto tempo ficar em Luxemburgo

Tudo depende de seu ritmo e no que te interessa. Eu diria que em dois dias inteiros é um bom tempo para conhecer bem a capital. Para outras atividades, como visitar o castelo, o mosteiro e as vinícolas, você pode adicionar mais dois dias inteiros. Entretanto, se quiser só dar uma olhada muito rápida, é possível ver tudo em dois dias. Pode ficar um pouco cansativo fazer um bate e volta de um dia para conhecer a capital, mas é viável se você chegar cedo.

O que comer em Luxemburgo

A gastronomia de Luxemburgo me impressionou bastante. Os preços não são tão elevados como eu imaginava e os restaurantes são bons. Só fiquei curiosa com o fato de os vinhos serem quase todos importados e não termos encontrado muitas opções produzidas localmente, tendo em vista que a região de Moselle produz vinhos de qualidade. A comida, no geral, sempre foi boa. Mas não encontrei nenhum lugar que se destacou como sendo imperdível.

No quarto dia era hora de pegar estrada outra vez! De manhã já partimos para Paris, felizes com as visões que tivemos daquela bela cidade.

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