Budapeste: de palácios encantados a termas

Esse é um outro lugar que eu colocaria na lista das cidades que todo mundo precisa ir uma vez na vida: Budapeste. Estive lá saindo de Berlim e a caminho de Praga. Eu não tinha muita expectativa, só pensava em ir à República Tcheca e essa era apenas uma parada no caminho. O que aconteceu é que me apaixonei pela capital da Hungria.

Budapeste está entre as grandes metrópoles europeias. É um local que não tem o glamour e a riqueza de Paris, por exemplo. Está muito marcada, em cada rua, cada rosto, pela antiga cortina de ferro e a vivência do comunismo. Como pano de fundo, vemos o brilho de majestosas construções e conservadas sim. Eu caracterizaria como uma Paris decadente, alegre, com feridas e muito grandiosa.

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Danúbio corta e dá mais beleza a tão grandiosa Budapeste

Imagine construções enormes, bem entalhadas, todas adornadas com muito zelo e refino. Tudo isso emoldurado pela passagem do Danúbio, que divide a cidade em Buda, do lado direito do rio, e Peste, no esquerdo. Cada margem um dia foi uma cidade diferente, crescendo com contextos distintos e a união que se deu entre as duas é magnífica, a começar pelas pontes.

Buda abriga hoje o centro antigo e é que tem mais o perfume do passado. Peste é mais animada, descolada, com prédios e grandes avenidas, além de lojas e restaurantes.

Sabe o que é bom para nós brasileiros? Como a moeda local vale pouco e o país é menos rico que os vizinhos, Budapeste é barata. É possível se hospedar em um ótimo hotel, almoçar em restaurantes excelentes e fazer passeios por menos da metade do que se gastaria em Amsterdã, por exemplo. É ainda mais em conta do que Praga, capital do país vizinho e que já oferece bons preços.

Região das lojas em restaurantes em Peste
Região das lojas em restaurantes em Peste

Fiquei quatro noites na cidade. Cheguei num período da tarde. Almocei, dei umas voltas pela região da Váci, rua onde estão as lojas das grandes marcas, e logo vi uma pessoa vendendo tíquetes dos ônibus Hop-on-hof-of, que tinham sido recomendados antes de eu viajar. Eu fechei na hora. Paguei muito barato, algo entorno de 15 euros para um ônibus noturno, um diurno e um passeio de barco. Pelo horário, fiz umas caminhadas à beira do rio e deixei para o usar o tíquete noturno.

A cidade é maravilhosa à noite. As luzes projetadas nas construções davam ainda mais sensação de grandiosidade. É como se Budapeste brilhasse e acendesse à noite. Um encanto que antes eu só tinha sentido dessa forma ao ver Paris reluzir. É esse o momento mais magnífico de andar à beira do Danúbio. Não deixe de fazer.

Castelo de Budapeste iluminado à noite
Castelo de Budapeste iluminado ao entardecer e o brilho refletido no Danúbio

No segundo dia, era a hora de desvendar. Fiz todos os pontos dos ônibus vermelhinhos. Comecei pelo magnífico Castelo Budapeste, onde está o Museu de História e a Galeria Nacional.

O lado Buda e as principais atrações
Um pouco do lado Buda e as principais atrações medievais

Fiz as visitas e também passei por todo o entorno dele, tirando milhares de fotos da maravilhosa vista, principalmente olhando de frente para o Parlamento, meu prédio húngaro favorito! Nessa caminhada encontramos jardins, além de elementos arquitetônicos e esculturas medievais.

Difícil parar de olhar para o Parlamento quando se está do lado oposto, no Castelo
Difícil parar de olhar para o Parlamento quando se está do lado oposto, no Castelo

Depois subi para a Citadela, no Monte Gellért, no mesmo lado do rio. A vista também é indescritível. Por lá está um bunker, mas eu optei por não entrar nessa atração construída pelos alemães na Segunda Guerra.

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Castelo e pontes vistas do monte. Imperdível!

Indo ao lado Peste, eu conheci meu tão querido Parlamento, um enorme palácio gótico, repleto de pequenos detalhes, onde é possível fazer uma visita guiada. É bem interessante caminhar pelo entorno para observar o prédio de diferentes ângulos, e observar o rio dali, onde estão algumas esculturas.

Outra parada interessante foi no antigo mercado, onde são vendidos souvenir e tira-gostos regionais. A fechada é muito linda e vale super entrar caso queira comprar algum presentinho ou experimentar comidas tradicionais.

Um dos pontos mais distantes (mas não é tão longe assim) é a Praça dos Heróis. Lá está um obelisco repleto de simbologia para o país: os líderes das tribos que formaram a Hungria com o Anjo Gabriel. Pertinho você encontra diversos restaurantes, o que pode ser interessante para uma parada na hora do almoço, além do Museu de Belas Artes e o Palácio da Arte.

A famosa Praça dos Heróis e suas esculturas
A famosa Praça dos Heróis e suas esculturas

Eu comi por ali num restaurante bem bonito e típico, mas acabei não guardando o nome. Escolhi um prato tradicional, o goulash (comida de vaqueiros), especialidade da casa. Existem vários tipos de goulash, inclusive de legumes, mas o que escolhi é uma receita do século XIX em que vai praticamente só gordura. Eu não gostei não. Foi uma péssima escolha! Era como um osso com banha, sem a parte mais magra da carne, mergulhado numa água quente. Boiando vem uma massinha, quase um pão, que não consegui identificar se era de farinha ou arroz. Depois que você toma aquela sopa de gordura, come o tutano com um molho de cereja. Confesso que não consegui. Comi o molho com pão.

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A minha sopa de gordura assim que chegou

Bem, voltando ao trajeto… Perto da Praça dos Heróis está o Városliget, onde encontramos diversas atrações, entre elas um dos mais famosos banhos turcos da cidade, o Szechényi, com várias piscinas quentinhas, saunas, massagens… Aliás, as águas termais e os banhos são super famosos e tradicionais na cidade. Quando for à Budapeste, não deixe de colocar uma roupa de banho na mala! Uma opção também é o spa do luxuoso hotel Gellért, que não é caro não pelo que oferece. A entrada deve sair o equivalente uns R$ 75 e os tratamentos, como massagem, a partir de uns R$ 80.

Nesse dia, à noite, estive no bairro judeu, onde está a Sinagoga e o Museu Judaico e livrarias bem interessantes, por sinal. Meu hotel, o Mercure Budapest Korona (um ótimo custo-benefício por sinal) era pertinho então me senti tranquila de ir tomar um drink sozinha à noite. É uma região bem animada, cheia de bares. Não raro vemos grafites, lojas bem descoladas, o que difere de boa parte da cidade.

Sinagoga do bairro judeu à noite: ricos detalhes
Sinagoga do bairro judeu à noite: ricos detalhes

Deixei o meu terceiro dia bem light. Foi nessa data que fiz o passeio de barco, comi com calma e fiquei flanando. No fim, a escolha do combo dos ônibus e barco foi a melhor coisa que fiz! A cidade não é enorme, mas as atrações ficam espalhadas e, algumas vezes, em locais no alto de colinas. Se for ficar quatro dias, como eu, ou até três, esse último é um ótimo momento para ir a algum dos banhos e relaxar. Quem puder prever mais tempo, pode conferir mais de um!

No dia seguinte, eu já saí cedinho para a Praga, que contarei também para você como foi!

Dicas práticas

O acesso de avião é tranquilo. Existem vôos (inclusive low cost) de diversas grandes cidades. Eu fui de Berlim até lá de Ryanair.

Para ir de trem, combina perfeitamente com Viena (3h a 7h de duração), Bratislava (2h30 a 5h30) ou Praga (7h a 11h). Eu saí de lá em um que chegou em Praga em 7 horas.

Para ir até o hotel de táxi não sai nada caro. Só tome cuidado, pois infelizmente acontece de alguns motoristas darem voltas grandes ou fraudarem o taxímetro. Cuidado também para não pegar um veículo ilegal, pois existem muitos clandestinos. Na dúvida, pegue o táxi das companhias que têm guichê no aeroporto e já fornecem preço fechado. Aliás, se for precisar de um dentro da cidade, peça ajuda na recepção do hotel ou ligue a um rádio taxi.

Tenha sempre um pouco de dinheiro, pois alguns lugares não aceitam cartão. No geral, restaurantes e atrações turísticas aceitam. Na época eu saquei o equivalente a 40 euros e sobrou bastante. Fiz câmbio em Praga e gastei os últimos centavos no táxi de lá para o aeroporto.