Como tudo começou

Quando criança, eu adorava girar um globo de mesa e brincar de escolher para onde eu viajaria. O mundo me parecia tão grande e a desafiar que tinha paixão também por Atlas. Foi quando a URSS se dividiu que eu pedi o meu primeiro de presente. Era uma versão atualizada com a nova divisão dos países.

Em casa, esse desejo de desvendar as coisas e o planeta era, de certa forma, potencializado. Filha de acadêmicos, vivia com livros e revistas antes mesmo de começar a ler e viajava para pelo menos quatro lugares diferentes no ano. Começamos pelo Brasil. Aos cinco, eu já tinha navegado entre jacarés e tuiuiús no Pantanal. Aos 14, já tinha pisado três vezes no Ceará.

A primeira viagem internacional foi aos nove anos. A clássica descoberta da Disney. Lembro-me bem que na véspera não dormi de ansiedade. A idade mais marcante para viagens foi, entretanto, os 15. Em janeiro fui com meu pai ao México e com a minha mãe à Alagoas. Em um feriado, viajei com a minha mãe, pela segunda vez, à Buenos Aires.

Em julho daquele ano, fiz meu primeiro intercâmbio. Era o presente que escolhi para os meus 15 anos: uma experiência na Inglaterra. Para isso, por três anos, pedi dinheiro de presente a todos os familiares e juntei economias. Eu consegui, com isso, arrecadar o valor da passagem. Meus pais pagaram o curso e a parte terrestre e meu avó deu o dinheiro para a viagem. Lembro como se fosse hoje.

Quando eu tinha 21, entendendo que precisava de mais uma experiência no exterior, eu saí do meu estágio, arrumei minhas malas e fui estudar por um período na faculdade que eu sonhava: a Sorbonne. Foram dias inesquecíveis. Encontrei-me em cada canto de Paris. O meu desvendar no mundo era muito intenso naquele espaço e tempo. Até que uma notícia me devastou: minha mãe teve um aneurisma, ficou em coma por um bom tempo e teve grandes sequelas. Eu voltei sem terminar o que tinha me proposto.

Anos após, formada, titulada e com um bom emprego, decidi voltar a ter um tempo para viver o mundo. Com uma codireção do meu doutorado, fui passar um período de estudos no exterior. Pedi demissão, aluguei meu apartamento e vendi o meu carro. O amor também me ajudou: meu namorado conseguiu uma transferência para a região. Peguei as minhas malas e me mudei para a Alsácia, uma linda região da França, pertinho da fronteira com a Suíça e a Alemanha. O resto dessa história você confere aqui….

“Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela.” Albert Camus

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